Emancipação

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Internacionalistas

Contra a precarização

Não há melhor capitalismo

A lógica do capital é fácil de entender: morre o capital que não se reproduz, que não dá lucro. E se dá lucros, eles se tornam capital e têm que ser amortizados também no próximo ciclo. O capital aumentado a cada ciclo de lucro precisa produzir novos lucros e, na ausência de novos mercados -reais ou fictícios, isto é, criados com base no crédito-, que só podem ser alcançados aumentando a exploração. Há duas maneiras de fazer isto.

  1. O «ideal» de acordo com a própria burguesia é incorporar tecnologias que tornam possível produzir mais com menos horas de trabalho, ou seja, para aumentar a exploração relativa. Em teoria, isto permitiria aumentar os salários e os lucros ao mesmo tempo, mas apenas na condição de que o mercado também aumente. Este foi o motor da expansão do capitalismo em todo o mundo durante o século XIX. Mas durante um século não houve mercados «virgens». De facto, o capital português tem acesso a cada vez menos mercados. A consequência inevitável é que a melhoria tecnológica não produz aumentos na massa salarial total, mas sim desemprego.
  2. A outra maneira é simplesmente pagar menos por hora trabalhada, reduzindo salários, assinando contratos por 4 horas que são então em tempo integral, fazendo horas extras não pagas, etc.

O primeiro caminho é o da robotização, digitalização, etc. A segunda é a da precarização. Durante décadas, a organização do trabalho foi reorganizada e reestruturada por todos os lados, dissociando o trabalhador de lugares e equipes de trabalho, serviços básicos, expectativas de contratação e renda estável. Quebram-nos e atomizam-nos para que, no final, nos explodem mais.

A precarização não é uma política, mas uma necessidade de capital. As suas leis não nos vão defender. Em Portugal, hoje, um em cada dois euros de crescimento vai remunerar o capital. Foi assim que o capital saiu da crise… empobrecendo-nos e tornando-nos precários.

É por isso que a sua legislação não nos vai proteger. Não levantariam o salário mínimo se ao mesmo tempo não abaixassem os salários para trabalhos qualificados. Pagam-nos um pouco mais do mínimo, mas igualam-nos a todos a partir de baixo, para que, em geral, o capital pague menos.

Os trabalhadores não têm pátria, nem sector

Em todo o mundo somos chamados a fechar fileiras com as necessidades desta ou daquela facção do capital: salvar a indústria nacional, apoiar o pequeno comércio, descobrir supostos interesses comuns com o capita. Mas a verdade é que, quanto menos capitalizado for um sector, um país ou uma região, mais urgente é a necessidade de aumentar a exploração em termos absolutos do capital.

É por isso que o chicote de jovens trabalhadores, de Berlim a Buenos Aires passando pela porta de nossa casa, é o setor de serviços, o menos capitalizado dos grandes setores. É por isso que os países e regiões com capitais nacionais mais fracas estão a tornar-se mais precários e mais rápidos. Embrulharmo-nos na bandeira nacional ou defender o sector seria pôr a corda à volta do pescoço.

Sindicatos Organizam a Précarização

É por isso que os sindicatos foram e são os primeiros agentes da precarização. Dizem-nos que sem contratos, sem vendas, não faz sentido lutar, que temos de subordinar as nossas necessidades à existência de benefícios e aceitar trabalhar -e receber- apenas quando a empresa tem encomendas. No carro (Opel, Seat, PSA, Ford) organizam o leilão das condições de trabalho das fábricas. Eles nos vendem que somente se aceitarmos mudanças insanas, salários mais baixos e contratos desprotegidos poderemos ser competitivos com outras fábricas em outros países… onde os sindicatos lhes dizem exatamente a mesma coisa.

O que fazer

Uma das vantagens da precarização para o capital é que ela nos atomiza e dificulta a luta coletiva. Hoje somos contratados para uma semana de limpeza, dentro de um mês fazemos uma carga de turno em um moinho de azeite, um fim de semana poupamos servindo em casamentos e se tivermos sorte, somos contratados para uma campanha de teleoperadores de três meses. Somos intercambiáveis, flexíveis… e se dependesse deles, estaríamos completamente isolados, esperando sem ver ninguém se dignar a nos explorar.

É por isso que a primeira coisa que temos de fazer em todo o lado, é quebrar a linha divisória entre fixo e temporário, entre contratado pela empresa e subcontratado, entre um sector e outro, entre uma empresa e outra. Somos todos trabalhadores, somos todos mais ou menos precários e, se começarmos a ver quem é pior, acabaremos todos por ficar abaixo do mínimo de sobrevivência para a maior glória do capital nacional e da sua competitividade. Devemos todos nos mobilizar juntos, como uma classe, e coletivamente controlar cada conquista.

Por uma mobilização conjunta de todos os trabalhadores contra a precariedade e o desemprego

Assembléias sem contrato ou divisões de empregador em empresas de um determinado tamanho, assembléias de trabalhadores de bairro no comércio hoteleiro e pequeno comércio

Fim do trabalho por peça, trabalho sem contrato e horas extras

Redução da jornada de trabalho máxima para 30 horas por semana com o mesmo valor líquido mensal

Prolétaires de tous les pays, unissez-vous, abolissez les armées, la police, la production de guerre, les frontières, le travail salarié!
Proletários de todos os países, uni-vos, suprimam exércitos, polícia, produção de guerra, fronteiras, trabalho assalariado!
¡Proletarios de todos los países, uníos, suprimid ejércitos, policías, producción de guerra, fronteras, trabajo asalariado!
Workers of all countries, unite, abolish armies, police, war production, borders, wage labor!
Proletari di tutti i paesi, unitevi, sopprimete gli eserciti, le polizie, la produzione di guerra, le frontiere, il lavoro salariato!